
Muitas pessoas, entre as quais me incluo – consideram o disco “Milton”, gravado com a grande banda que era o Som Imaginário, e os memoráveis shows que realizaram, a grande virada na carreira de Milton Nascimento, que viria, logo a seguir, com o Clube da Esquina - somando tantos talentos individuais, como Lo Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, e no 2.o disco, Flavio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Paulinho Jobim e muitos outros.
No site do Clube da Esquina e’ reconhecida a importância deste disco “Milton” :
"Porém, é em seu disco “Milton”, de 1970, que Milton e os rapazes do Clube da Esquina passam a trilhar um caminho sonoro totalmente próprio, autêntico e mais independente do passado da música brasileira. Esse disco tem como banda de apoio o Som Imaginário, mais Lô Borges e Naná Vasconcelos. Nele, o Clube se faz mais presente nas composições dos irmãos Lô e Márcio Borges e da sonoridade que funde recursos diversos existentes na MPB – como guitarras distorcidas – e inovações – como o uso determinante da percussão na música “Pai Grande”.
A percussão não faz mais o papel de acompanhante rítmico: agora é a de criadora de um evento que corre concomitantemente à voz e ao violão e com um volume maior que o usual das gravações."
A importancia deste “Milton” – gravado com o Som Imaginário, que era uma banda (lançaram inclusive 2 ou 3 LPs da banda), que fez shows com o Milton por todo o pais, apresentando “ao vivo” o repertorio do LP “Milton” e mais algumas musicas-surpresas.
No “Clube da Esquina” por outro lado, tocaram juntos vários artistas talentosos, que mais tarde tiveram grande sucesso em suas carreiras individuais - mas que não eram na verdade uma banda. Porisso não fizeram shows de lançamento do disco Clube da Esquina, ao contrario desse “Milton”, gravado com o Som Imaginario. Que era uma banda coesa, com estilo próprio e original, misturando rock com jazz, bossa-nova com maracatu, barroco mineiro com influencias das guaranias paraguaias que tanto se refletem na musica mineira. Era uma época difícil, o governo militar tinha exilado os mentores do tropicalismo (Caetano e Gil), sem falar de Chico Buarque e Vandré, que foram para o exílio. Milton teve varias musicas censuradas, mas seguiu em frente, mantendo acesa a chama da boa musica se apresentando por todo o pais, as vezes com canções com letras ousadas, que a censura dos órgãos de repressão muitas vezes nem entendiam.... sorte nossa.
O fato e’ que eu e Flavio (Venturini) assistimo quase todas as apresentações deles no Teatro Marília. O repertorio era tao genial, que começava com um tema instrumental maravilhoso (acho que gravado depois no Matança do Porco – disco do Som Imaginário). Passava por Durango Kid (linda canção de Toninho Horta), passava por A Felicidade (Tom Jobim-Vinicius de Morais) com Milton sozinho com seu violao e uma interpretação digna da beleza da musica e de sua voz privilegiada. Mergulhava no crepuscular e wagneriano tema cinematográfico de Os Deuses e os Mortos para surgir de repente na ensolarada canção de Simon & Garfunkel ,
The Only Living boy in New York, Mais tarde ouvi a gravacao original com essa dupla comparavel, talvez, a Lennon & McCartney. Se não me engano, e’ uma das faixas do disco que trar America, e o grande sucesso que foi Brigde over troubled Waters – uma das mais belas e bem sucedidas (comercialmente) canções jamais escritas.
Mas, se gosto muito da interpretação deles, do arranjo e da voz angelical de Garfunkel, não me esqueço de como me impressionou essa musica interpretada pelo Milton.
Esse disco e’ um dos meus preferidos, e tem para mim a mesma importância que o “Rubber Soul “ ou “Revolver” dos Beatles, em relação ao “Sgt Pepper’s”, que e’ considerado o mais original e talvez a obra-prima dos Beatles. O mesmo vale para esse “Milton” em relação ao “Clube da Esquina.”
Mas são todos excelentes, e amo a musicalidade poesia e o que representam todos eles...