domingo, 4 de outubro de 2009

Voltarei a encontrar voces por aqui, em breve ! #


Gente,


Muito trabalho, muitos shows, ensaios, reorganizacao de uma serie de coisas em minha vida, inclusive o laptop que so agora voltou a ficar legal... etc etc.


Enfim, espero agora ter mais tempo pra voltar a conversar com voces aqui no blog.


E contar novidades, como por ex. para quem nao sabe, 14 Bis ta fazendo shows normais (mais pesado) e tambem em formato acustico, que agradou muito todos que assistiram. Fizemos no Festival de Corais, que este ano homenageou Villa Lobos, e a gente se apresentava depois dos coros, grupos de danca, etc , em lugares tao lindo e historicos como o Teatro Municipal de Ouro Preto, joia da arquitetura barroca e varios outros lugares semelhantes.


E mais para o fim do ano devemos gravar o DVD/CD com Flavio Venturini, que conosco fundou a banda, comemorando 30 anos de 14 Bis. Vai ser otimo.


E tem muito mais, dpois a gente conversa.


Abs e Bjs


Vermelho

sábado, 23 de maio de 2009

Zé Rodrix, multi-instrumentista, maestro e ótima conversa.


Hoje de manhã, abrindo e-mail de nosso amigo Pepe, do Via Fanzine, fiquei sabendo que nosso querido Zé Rodrix, mais conhecido por ter sido integrante do trio Sá, Rodrix & Guarabyra, nos deixou, foi para um Universo Superior. De repente!... Como se encerrasse rapidamente uma conversa ou terminasse uma música e se mandasse...

Ele nos deixou com aquela vontade de continuar a prosa ou a música, coisas em que ele era tão competente. De humor cáustico, conhecedor profundo das músicas em suas várias modalidades, do pop/rock/rural ao erudito de vanguarda, Rodrix era um notável arranjador e compositor (mais conhecido pelo eterno hit “Casa no Campo”, composição dele em parceria com Tavito, eternizada na voz de Elis Regina).

Inteligência rara, ele conhecia tanto música, como literatura, teatro e se sentia à vontade na mídia, seja entrevistado em programas de tevê (Jô Soares e tantos outros), como de rádio (Bazar Maravilha e outros) ou entrevistas por toda a mídia. Aliás, a mídia se mostrou à altura de seu talento, dando hoje uma cobertura bem informativa e mostrando vários momentos marcantes da carreira deste grande artista que foi Zé Rodrix.

Desde cedo ele frequentou escolas de Música, se formou, estudou contraponto, regência, composição e orquestração. Aliou este conhecimento musical ao seu talento de trabalhar com criação, seja em teatro, na literatura ou na música popular, onde misturou a música erudita à popular (rock, pop, jazz, música mineira, rock rural e etc.). Aliás, muito nós conversávamos sobre vários assuntos, mas, principalmente, música, já que tínhamos formação e conhecimento musical semelhante, tanto no erudito como popular. Aprendemos muito um com o outro – eu, certamente, saí lucrando...

Esteve sempre presente em momentos importantes da música brasileira. Relembrando apenas alguns breves momentos de sua longa carreira, Zé Rodrix integrou, em 1966, o conjunto Momento Quatro, que se apresentou no III Festival de Música Brasileira da TV Record (1967) com a música Ponteio (de Edu Lobo), vencedora daquele festival.
Integrou a lendária banda Som Imaginário, que gravou o antológico álbum Minas, com Milton Nascimento (a música mais conhecida deste raro álbum, anterior ao Clube da Esquina, mas de uma competência musical inigualável, foi Para Lennon e McCartney). Zé Rodrix tocava piano, órgão, ocarina, percussão, além de cantar, escrevia vocais, arranjos elaborados e audaciosos.

O Som Imaginário, para quem não conheceu, foi uma das melhores bandas do Brasil na década de 1970, além de ter acompanhado Milton Nascimento e Gal Costa, tanto em discos, como em shows maravilhosos por todo o país. Ele chegou a gravar dois ou três LPs com músicas muito criativas e originais. Eu e Flávio (Venturini), que mais tarde fundamos o 14 Bis, não perdíamos um show deles quando apareciam aqui em Belo Horizonte. E nos influenciaram muito, principalmente, pelo fato de terem - como nós - dois tecladistas: Zé Rodrix e Wagner Tiso, que se harmonizavam de maneira única, mesmo com formações um pouco diversas.

No Som Imaginário, Zé Rodrix era mais pop/rock (confiram o fulgurante solo de órgão em Para Lennon e McCartney) e já Wagner Tiso, mais bossa-nova. Mas, ambos tinham um grande conhecimento de jazz, erudito e, junto com a viola de 12 do Tavito, a guitarra do Fredera e a fantástica ‘cozinha’ de Robertinho Silva na batera, Naná Vasconcelos na percussão e Luis Alves no baixo, eram uma banda de uma riqueza sonora e diversificada incrível, a ponto de criar um verdadeiro “som imaginário”.

Para quem se interessar, confira o Som Imaginário interpretando Feira Moderna (
ouça aqui), canção que eles defenderam num Festival Internacional da Canção. O vídeo não é dos melhores (a tecnologia de áudio/vídeo ainda não estava tão avançada como hoje – além de ser apenas um ensaio!). Mas dá uma idéia do som da banda e da interpretação de Zé Rodrix desta bela canção de Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant. Ou então, ouça (aqui) uma interpretação da mesma canção em uma versão de maior qualidade, com ele cantando ao piano, acompanhado de banda.

Seu trabalho no trio Sá, Rodrix & Guarabyra lançou o chamado rock rural, trazendo canções que se tornaram das mais executadas na década de 1970. Depois que o trio se desfez, Zé Rodrix se tornou sócio de um estúdio em São Paulo, onde compunha e orquestrava diversos jingles publicitários que veicularam no rádio e na tevê brasileira nos anos de 1970 e 80 e que caíram na graça popular da época Além disso, deixa uma vasta obra de composições e arranjos gravados.

Foi justamente num show que reuniu Sá, Rodrix & Guarabyra, Flávio Venturini e 14 Bis, no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, em 2008, que nos encontramos pela última vez. Para mim, foi a despedida de sua presença marcante, tanto no palco como nos camarins, com seus comentários argutos, rápidos e bem humorados, que dominavam o cenário.

O músico era muito querido pelos amigos e era visto como um brincalhão, um gozador e contestador. Quem quiser ter uma idéia da pessoa e do músico que foi Zé Rodrix, nada melhor do que
ler seu depoimento (impagável e genial, além de muito divertido) postado no Museu Clube da Esquina.

Pra terminar, queria dizer para você, Zé, esteja onde estiver: seu sacana (com todo respeito - risos...), ficou me devendo aquele inesquecível arranjo que fez de uma canção da Ópera dos 3 Vinténs. Mas pode deixar, aquele momento de música tão linda vai ficar para sempre gravado nos meus ouvidos e no coração. Assim como todas as tantas coisas bonitas, sábias e/ou irreverentes que você nos deixou.

Fique em paz e saiba que, para nós, foi um privilégio ter conhecido um ser humano e tão grande músico como você.


(Esse texto esta' tambem publicado no http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/pag/tributo.htm )

domingo, 25 de janeiro de 2009

Voltando para trocar ideias com voces no Blog - Vermelho #


Galera,

Estava muito ocupado, tanto com shows e gravacoes di 14 Bis, projetos meus, cuidando de coisas particulares, viajando de ferias, etc... E ainda por cima meu laptop pifou!
Mas agora ja estou com um novo e logo que estiver com tempo vou voltar a postar assuntos variados e interessantes, espero. Obrigado pelo apoio e elogios em seus comentarios - me estimulam a escrever mais, e podem ter certeza que tenho muitas novidades que acredito que vao gostar de ler/ver - e comentar, claro.

Abracao e um otimo 2009 para todos nos (e muita Musica boa, claro).
Vermelho

sábado, 26 de abril de 2008

14 Bis – uma banda vocal e instrumental, sem duvidar! # 27-4-8




Uma das caracteristas do 14 Bis e' ser, alem de uma banda instrumental, uma banda vocal. Alem disso, interpreta, em geral, suas proprias composicoes. Nao encontramos – principalmente nos últimos tempos - muitas as bandas que ao mesmo tempo compõem, tocam, cantam suas proprias musica: Beatles, Crosby, Still. Nash & Young, America, The Birds – são exemplos de algumas destas ótimas bandas, que nos influenciaram muito. No Brasil, podemos citar Mutantes, Terço, Roupa Nova e Boca Livre (so pra citar as que tem estilo semelhante ao nosso). Cantar em vocal (e tambem tocando, ao mesmo tempo!) requer uma tecnica toda própria, que exige muito ensaio, entrosamento e ate afinidade – não so em termos de companheirismo e amizade – mas ate’ fazer com que o “timbre’ e estilo da voz de cada um se “casar” com as vozes dos companheiros.Talvez por isso, seja cada vez mais raro encontrar bandas assim hoje em dia; numa outra postagem aqui no blog, chamei a atenção para essa facilidade com que hoje um musico pode, sozinho, gravar todos os instrumentos e vocais num programa de computador. Se trata de um avanço tecnológico importante; mas, por outro lado, corre-se o risco de se perder o prazer, o aprendizado e o resultado final tao rico e variado - que se obtem qdo diversas pessoas se encontram para fazer Musica juntos: compor, ensaiar, tocar, cantar e gravar uma canção ou uma instrumental . Pois entra ai um elemento humano de amizade, confraternização, erros, acertos, “gozeiras”, bom humor, etc. Com a soma da opinião e conhecimento de cada um, quando uma canção fica pronta e e’ gravada, esse esforço coletivo faz com que se torne uma canção bem mais elaborada, com mais chance de se tornar sucesso e resisitir`a passagem do tempo.Aconteceu isto com muita canções dos Beatles (e de muitas destas outras bandas acima citadas) e tambem no 14 Bis: Planeta Sonho, Uma velha Canção Rock’n’roll, Caçador de Mim, Mesmo de Brincadeira, Linda Juventude – citando so alguns exemplos – são canções que nao teriam o sucesso que ainda teem hoje ( algumas foram compostas há mais de 25 anos!) se não tivessem um vocal tao bem elaborado e que contribui tanto para a equilibrada sonoridade da canção - enfatizando tb a letra, com os versos cantados por diferentes pessoas - expressando a harmonia não so na Musica como na Vida. Uma rápida explicação, mas que acho importante: o “cantar em vocal”, pode ser descrito como 3 ou 4 vozes cantando diferentes melodias que se somam - formando acordes (diferentes intervalos musicais tocados/cantados ao mesmo tempo, num sentido "vertical") e ao mesmo tempo acompanhando em outra voz, o "desenho" melodico da voz principal – sentido “horizontal”. E' uma coisa que exige um certo talento e intuição, mas também estudar com toda atenção musicas que podem nos ensinar como fazer isto bem. Mas, acima de tudo vem a pratica de cantar juntos, ao ponto de ate a pronuncia das silabas e a respiração terem de ser executadas numa mesma fração de tempo!Após muitos ensaios, shows, gravações, discussões, risadas, aprendizados mútuos, etc, isto vai se tornando mais fácil cada vez mais fácil e natural, , a ponto de se tornar um prazer tanto para nos como para o publico, alem de se tornar uma das características marcantes do som da banda. Planeta Sonho e Canção da America são dois bons exemplos de musicas interpretadas pelo 14 Bis em que o vocal se sobressai: e’ ate difícil definir qual e’ melodia, por não haver uma voz predominante ou “principal”. Mas na maioria das vezes a melodia e’ cantada SOLO, e so’ depois (na 2ª parte ou refrão) e' cantada em vocal. Uma Velha Cancao rock'n'roll, Mesmo de Brincadeira e Caçador de mim são exemplo de canções nossas com estas características.Em muitas cancoes, predominava a voz SOLO do Flavio - ele compôs grande parte das musicas do 14 Bis, sozinho ou em parceria, geralmente comigo - e sempre cantou muito bem os mais diversos estilos de musica. Com a saída dele da banda, o Claudio (irmão dele, com timbre parecido) ficou com o solo vocal nas musicas onde a voz solo tem de maneira mais evidente e marcante esse timbre tao “Venturini”Todo azul do Mar, Espanhola etc. Mas todos na banda cantam (inclusive o Hely, mas não sei se por causa de ficar tao ocupado com a bateria, ou se por falta de incentivo, não tem cantado – mas acho que vai faze-lo em próximos trabalhos: tem nos mostrado suas novas composições, bem interessantes). Magrao se destaca em Cacador de Mim, Mascara Convencional e Mais uma Vez (onde cantamos juntos o trecho central da musica). Vermelho canta a voz solo em Nave de Prata, Passeio pelo interior, Nas ondas do radio etc, alem de muitas vezes dobrar a melodia com o Flavio nas muitas musicas que compusemos juntos. Claudio, alem de solar as musicas antes cantadas pelo Flavio, faz a voz solo em Mesmo de Brincadeira, Xadrez Chinês, Bola de Meia, Sonhando o Futuro etc...E quando partíamos para cantar em vocal, todos nos - tanto nos shows, como ensaios, gravações e ate compondo juntos - não so sabiamos cantar sua própria melodia como também a que cada um dos outros cantava. As vezes ate trocavamos de voz um com o outro, para ver como ficava melhor, rsrs... Eu, que geralmente cantava no grave, mudava e cantava no agudo, por ex. Ou o Flavio fazia o mesmo, como em Nos Bailes da Vida, onde ele canta no registro grave da voz (o que ele faz bem, não sei pq não explora mais isto) e confunde as pessoas, acostumadas com sua voz mais no agudo. Portanto, e’ bom não confundir: no 14 Bis – e tambem nestas bandas que citei acima – quando não e’ voz solo, canta-se em vocal; não confundir com backing-vocal, como o Pink Floyd as vezes faz: tem a voz principal e um vocal “de fundo” que faz ohoh, ahaha... ou repete algum treco em coro, mas não com a mesma importância da voz principal. Nas bandas que cantam mesmo em vocal, todas vozes tem a mesma importância. E, normalmente, quem compõe determinada parte da cancao, e' quem canta aquele trecho. Os Beatles faziam isto muito bem: voce ouvie o Paul cantar um trecho, depois Lennon cantar a 2a parte... Ou entao, cantavam juntos, dobrando a melodia de maneira tao próxima que ficava quase idêntico: esse entrosamento faz com que as vezes confundíssemos a voz de quem estava cantando... E, como eles foram nossos ídolos e referencia, aprendemos muito tentando imita-los. Porisso fico mais satisfeito ainda de ver quanto voces as vezes tambem se confundem sobre quem de nos esta' cantando: sinal que a banda, alem de estar cantando bem e entrosada, tem uma identidade propria, principalmente nos vocais.Lendo o que escreveram no Orkut vão ai alguns exemplos: a melodia inicial de Sem duvidar (Vermelho-Chacal) e' cantada por Claudio e Magrao (mesmo eu sendo o autor, a melodia aguda e’ mais adequada pra voz deles que a minha, mais grave). A gente abre o vocal a 4 vozes no refrão “Vem se perder se achar, vem sem duvidar...” com Flavio na 1ª voz, Claudio faz uma no meio, Magrao faz a 3a (ou 4a) voz no agudo e eu faco a 2a voz no grave. Tanto o vocal como o instrumental fazem desta musica uma das que mais gosto: vejam em http://www.youtube.com/watch?v=2yIYAnfZGxo . Vale a pena ver/ouvir a gente se apresentando para uma multidão numa praia da Zona Sul do Rio, no auge do verão carioca, uma apresentação fantástica. A rica harmonia da musica, o riff bem distribuído pelos 2 teclados (piano e órgão) eu e Flavio bem entrosados, tocando com um ritmo seguro - de rock bem basico– junto com a batera e baixo, fazendo uma ótima e poderosa base harmônica para o solo de guitarra que o Claudio faz, com toda sua técnica. E com um pique excelente, com a banda incentivada por um visual e uma platéia tao bonita e animada... Já em outra musica, Nos Bailes da vida nem parece o Flavio, mas e' ele mesmo que canta - num registro mais grave (ele tem a voz bonita tb neste registro, devia explorar mais isto). O inicio de Perdido em Abbey Road somos eu e Flavio cantando juntos; o mesmo em Carrossel, so que abrimos em 2 vozes diferentes; qdo nos conhecemos cantavamos assim e se tornou uma das caracteristicas do 14 Bis. E acho que conseguimos passar isto para as musicas que fizemos de parceria e somamos com a experiência e idéias criativas de Claudio e Magrao, para formarmos uma banda com um vocal tao admirado quanto nosso instrumental e nossas composições.Mas podem ter certeza que o incentivo de nosso publico fiel que nos acompanha por todos estes anos e tambem a linda juventude que cada vez mais comparece a nossos shows, são muito importantes para a boa Musica que fazemos.
Abs,
Vermelho

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Licao de Sabedoria de Vida (de um velho indio) # 24-4-8

(Achei muito interessante este texto, de uma Sabedoria muito profunda e atual. Através de lendas, anedotas, historias aparentemente simples, que passam de geração em geracao , esses mestres antigos – como este velho índio – nos trazem uma lição de Vida tao valiosa).

Uma noite, um velho Cherokee contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece dentro das pessoas. Ele disse :"Meu filho, a batalha é entre dois "lobos" dentro de todos nós.


Um é Mau - é a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a cobiça, a arrogância, a pena de si mesmo, a culpa, o ressentimento, as mentiras, o orgulho falso, a superioridade e o egoísmo.

O outro é Bom - é a Alegria, a Paz, a Esperança, a Serenidade, a Humildade, a Bondade, a Benevolência, a Empatia, a Generosidade, a Verdade, a Compaixão e a Fé".



O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao Avô : Qual o lobo que vence ?



O velho Cherokee simplesmente respondeu : O que você alimenta.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Importância do disco “Milton”, anterior ao Clube da Esquina # 16-4-8


Muitas pessoas, entre as quais me incluo – consideram o disco “Milton”, gravado com a grande banda que era o Som Imaginário, e os memoráveis shows que realizaram, a grande virada na carreira de Milton Nascimento, que viria, logo a seguir, com o Clube da Esquina - somando tantos talentos individuais, como Lo Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, e no 2.o disco, Flavio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Paulinho Jobim e muitos outros.
No site do Clube da Esquina e’ reconhecida a importância deste disco “Milton” :
"Porém, é em seu disco “Milton”, de 1970, que Milton e os rapazes do Clube da Esquina passam a trilhar um caminho sonoro totalmente próprio, autêntico e mais independente do passado da música brasileira. Esse disco tem como banda de apoio o Som Imaginário, mais Lô Borges e Naná Vasconcelos. Nele, o Clube se faz mais presente nas composições dos irmãos Lô e Márcio Borges e da sonoridade que funde recursos diversos existentes na MPB – como guitarras distorcidas – e inovações – como o uso determinante da percussão na música “Pai Grande”.
A percussão não faz mais o papel de acompanhante rítmico: agora é a de criadora de um evento que corre concomitantemente à voz e ao violão e com um volume maior que o usual das gravações."

A importancia deste “Milton” – gravado com o Som Imaginário, que era uma banda (lançaram inclusive 2 ou 3 LPs da banda), que fez shows com o Milton por todo o pais, apresentando “ao vivo” o repertorio do LP “Milton” e mais algumas musicas-surpresas.
No “Clube da Esquina” por outro lado, tocaram juntos vários artistas talentosos, que mais tarde tiveram grande sucesso em suas carreiras individuais - mas que não eram na verdade uma banda. Porisso não fizeram shows de lançamento do disco Clube da Esquina, ao contrario desse “Milton”, gravado com o Som Imaginario. Que era uma banda coesa, com estilo próprio e original, misturando rock com jazz, bossa-nova com maracatu, barroco mineiro com influencias das guaranias paraguaias que tanto se refletem na musica mineira. Era uma época difícil, o governo militar tinha exilado os mentores do tropicalismo (Caetano e Gil), sem falar de Chico Buarque e Vandré, que foram para o exílio. Milton teve varias musicas censuradas, mas seguiu em frente, mantendo acesa a chama da boa musica se apresentando por todo o pais, as vezes com canções com letras ousadas, que a censura dos órgãos de repressão muitas vezes nem entendiam.... sorte nossa.
O fato e’ que eu e Flavio (Venturini) assistimo quase todas as apresentações deles no Teatro Marília. O repertorio era tao genial, que começava com um tema instrumental maravilhoso (acho que gravado depois no Matança do Porco – disco do Som Imaginário). Passava por Durango Kid (linda canção de Toninho Horta), passava por A Felicidade (Tom Jobim-Vinicius de Morais) com Milton sozinho com seu violao e uma interpretação digna da beleza da musica e de sua voz privilegiada. Mergulhava no crepuscular e wagneriano tema cinematográfico de Os Deuses e os Mortos para surgir de repente na ensolarada canção de Simon & Garfunkel ,
The Only Living boy in New York, Mais tarde ouvi a gravacao original com essa dupla comparavel, talvez, a Lennon & McCartney. Se não me engano, e’ uma das faixas do disco que trar America, e o grande sucesso que foi Brigde over troubled Waters – uma das mais belas e bem sucedidas (comercialmente) canções jamais escritas.
Mas, se gosto muito da interpretação deles, do arranjo e da voz angelical de Garfunkel, não me esqueço de como me impressionou essa musica interpretada pelo Milton.
Esse disco e’ um dos meus preferidos, e tem para mim a mesma importância que o “Rubber Soul “ ou “Revolver” dos Beatles, em relação ao “Sgt Pepper’s”, que e’ considerado o mais original e talvez a obra-prima dos Beatles. O mesmo vale para esse “Milton” em relação ao “Clube da Esquina.”
Mas são todos excelentes, e amo a musicalidade poesia e o que representam todos eles...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tavito e Zé Rodrix – vale a pena ver = show de dois grandes musicos # 25-2-8


Tavito ficou conhecido no final da década ’70 com o sucesso da canção
“Rua Ramalhete” (... sem querer fui me lembrar de uma rua e seus ramalhetes....) e Zé Rodrix com “Casa no Campo”- gravada por Elis Regina (...eu quero uma casa no campo...). Mas, na verdade, têm um currículo artistico-musical muito maior que este lado de exímios compositores que são. Fizeram parte do Som Imaginário, excelente banda que ficou mais conhecida gravando com Milton Nascimento o disco “Milton” – anterior ao Clube da Esquina, mas já com toda aquela fusão de musica mineira, brasileira, com jazz, rock, maracatu e musica de vanguarda. Acompanharam-no nos shows de divulgação do disco, apresentando-se por todo o país – segurando a barra da musica brasileira (Gil, Caetano, Chico e outros, estavam fora do Brasil, banidos pela ditadura militar). Assisti um desses shows, aqui em Belo Horizonte, nesta época: eu e Flavio (Venturini) ficamos fascinados com a beleza e o pique do show, a variedade do estilo da banda, e o repertorio fantástico que tocavam, com Milton no vocal. Posteriormente, a banda lançou 2 discos ótimos, mas que não contaram com uma boa divulgação, por isso não tiveram o devido reconhecimento. Mas ouso dizer que tiveram (para nós e muitas outras bandas que surgiram depois) a mesma importância - num estilo diferente, mas na mesma qualidade - que os Mutantes para o Tropicalismo.
Zé Rodrix participou ainda do trio Sa, Rodrix & Guarabira, com várias musicas de sucesso, num estilo que ficou conhecido como rock rural. É um excelente tecladista, toca ocarina, canta, e e’ excelente arranjador e maestro, alem de ter uma cultura musical admirável. Tavito, alem de ter participado dos discos do Clube da Esquina, compôs muitos jingles (musicais para comerciais) e lançou vários discos-solo. E continuam fazendo seus shows (como podem ver abaixo), unindo seu inegável talento musical de instrumentistas, cantores e compositores, com suas divertidas historias, muitas delas de uma época tao importante da historia da musica brasileira – da qual participaram tao ativamente.
Vale a pena ler seus depoimentos no site do Clube da Esquina
http://www.museudapessoa.net/clube/index.htm - no menu artistas e discos).

Transcrevo aí em cima, o texto do Tavito, convidando, com todo seu bom humor e linguajar todo próprio, para este belo show. Pena que não consegui inserta-lo aqui com tamanho suficiente para vocês lerem. Certamente um otimo espetáculo, tanto para quem conhece seu trabalho, tanto para os que vão poder tomar conhecimento de canções de excelente qualidade musical e poetica, alem de bons momentos de descontração. O show TAVITO tem como convidado especial Zé Rodrix, e acontece no VILLAGGIO CAFÉ – Pca D. Orione, 298 – Bela Vista – SP, no dia 29 de fevereiro, às 21 hs. Reservas: (11)-3251-3730

Abs,
Vermelho